Trump altera estratégia e investe em ‘telecomícios’

Uma semana depois de aparecer de máscara em público pela primeira vez, Donald Trump anunciou que trocará eventos presenciais de campanha pelo que chamou de “telecomícios”, segundo a CNN, em uma nova mudança de postura frente à queda nas pesquisas de intenção de voto.
Neste fim de semana, apoiadores do republicano no Estado de Wisconsin receberam uma ligação em que uma gravação com sua voz começava a fala com “Alô, aqui é o Trump”, na primeira experiência do novo tipo de abordagem de Trump. Por telefone, o presidente afirmou que, “até que isso [crise do coronavírus] se resolva, e estamos indo muito bem com medicações e vacinas, será difícil realizar aqueles grandes comícios maciços”. “Eu queria estar com vocês, e isso está realmente substituindo nossos comícios que amamos tanto”, disse o presidente americano aos apoiadores por telefone. “Estou fazendo comícios por telefone, e vamos chamá-los de Comícios de Trump. Temos muitas pessoas na linha, e eu agradeço por isso”, acrescentou.
No comício em Tulsa, em Oklahoma, o republicano viu menos da metade dos 19 mil assentos ocupados – 6.200 apoiadores participaram. Era o primeiro evento de campanha desde o início da pandemia.
Sua primeira aparição em público usando máscara foi durante uma visita a uma instalação médica militar, a Walter Reed National Military Medical Center, nos arredores de Washington. Até então, Trump havia se recusado a usar o item em público ou a pedir a outros americanos que o fizessem, dizendo que essa era uma decisão pessoal. Ele afirmou, no entanto, que utilizaria máscara se estivesse em uma multidão e não pudesse manter distância dos outros.

Pesquisas
A virada de postura do presidente vem em meio ao anúncio de seguidas pesquisas que dão vantagem a seu opositor nas urnas em novembro, o democrata Joe Biden. A aprovação eleitoral do adversário entre os americanos registrados para votar chegou a 52%, contra 37% de Trump, a maior margem já registrada pela Universidade Quinnipiac, em pesquisa nacional divulgada na quarta (15).
Uma segunda sondagem, feita pelo Wall Street Journal e pela emissora NBC News, também mostrou resultados positivos para o democrata. Biden aparece com 51% das intenções de voto, contra 40% do atual presidente – a vantagem do democrata subiu de 7 para 11 pontos percentuais. Na soma da intenção de votos em estados-pêndulo – que ora votam em republicanos, ora votam em democratas –, Wisconsin entre eles, Biden lidera com 52%, contra 40% de Trump.
A pesquisa de Quinnipiac também mostrou que a aprovação do presidente atingiu seu menor patamar desde 2017. São 36% os que apoiam a Casa Branca de Trump, contra 60% que a desaprovam –uma queda de seis pontos percentuais em relação à última sondagem da universidade. Mas não é somente a aprovação a sua gestão que está em baixa: apenas 35% apoiam a resposta de Trump à pandemia do novo coronavírus.
A Universidade Quinnipiac entrevistou 1.273 eleitores registrados entre 9 e 13 de julho. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais. Já a pesquisa WSJ/NBC foi realizada de 9 a 12 de julho com 900 eleitores registrados. Mais da metade dos participantes foi contatada por meio de ligações a telefones celulares. A margem de erro é de mais ou menos 3,3 pontos percentuais.

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