Redução de salário não salva empresas

Ébastante favorável, para os empreendedores brasileiros, a prorrogação, por meio de decreto presidencial, do prazo para as empresas aplicarem as medidas do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda para os funcionários com carteira assinada. Agora, a redução de jornada de trabalho e salário pode ser estendida por mais 30 dias e a suspensão de contratos por mais 60, totalizando, para ambos os casos, 120 dias.
A medida, no entanto, está longe de ser a mais esperada pelos empreendedores nacionais. Com tantos meses de pandemia, o pouco dinheiro que tinham em caixa, para honrar despesas fixas, como aluguel e pagamento de funcionários, acabou. Prova disso é o crescimento no número de pedidos de falência e recuperação judicial, que subiram 28,9% e 82,2%, respectivamente, em junho, de acordo com um estudo da Boa Vista, feito com base em informações colhidas pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) em fóruns, varas de falência, Diários Oficiais e da Justiça.
Até o momento, os programas de empréstimo a micro e pequenas empresas criados pelo Governo durante a pandemia concederam R$ 12,489 bilhões, segundo dados do Ministério da Economia. Isso representa apenas 6,18% do volume total de crédito que as pequenas empresas devem precisar neste ano. E esse é o grande problema que os empreendedores estão enfrentando neste momento. Existe uma grande necessidade de crédito para se manter de pé durante a pandemia, que, muito provavelmente, não será suprida. Diminuir jornadas de trabalho e salários e suspender contratos trazem um pequeno alívio imediato, mas não afastam os empreendedores do grande abismo que há mais adiante.

Marcos Sá
Contador

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