Quem vai votar?

Acada dois anos, o eleitorado brasileiro vai às urnas para votar e, apesar da obrigatoriedade, abstenções voluntárias e involuntárias. A voluntária vem crescendo a cada pleito. A perspectiva para as próximas eleições municipais novembro/2020 é de elevado percentual e por diversas razões. Entre essas razões, descrédito generalizado aos atuais agentes políticos gestores.
Com esse período de pandemia e de combate ao vírus da covid-19, a corrupção, indiciando vários gestores públicos, em diversos estados e municípios brasileiros, caiu como a mosca que faltava na sopa do eleitorado nacional para explicar o porquê do desejo de não votar nas próximas eleições municipais.
Além da corrução na pandemia, o eleitorado tem como justificativa para não votar as sucessivas decepções provocadas pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, em decisões coletivas e individuais, suspendendo o cumprimento de pena, em 1ª e 2ª Instancias, de conhecidos condenados a exemplo de Lula, presidiário em liberdade e tantos outros indiciados pela Operação Lava Jato. Instituição ameaçada de ser extinta por muitos dos “figurões desta República”, aliados e defensores dos corruptos.
Outro exemplo que estimula desejo de não votar: a infeliz opinião do ministro presidente do Superior Tribunal Eleitoral, Roberto Barroso, sobre possível candidatura de Lula em 2022 à presidência da República. Para ele, “democraticamente a participação de Lula seria outra opção para o eleitorado”. O ex-presidente Lula é ficha suja inelegível, não pode ser opção.
Do TSE, outra ducha de entusiasmo aos inelegíveis. Autorizado registro de candidatura ficha suja para as eleições de 2020. Tudo isso porque as datas das eleições foram adiadas por 30 dias. Isto é tripudiar o patriotismo de qualquer imbecil, imaginem de um eleitorado já decepcionado com as sucessivas gerações de político-gestores corruptos e sugadores das tetas do poder público.
Além da corrupção e da impunidade o reprovável comportamento político dos nossos congressistas, provocando imensos desfalques financeiros ao país. Último exemplo: perdoar um bilhão de reais dos administradores de templos religiosos, quando congela salários de servidores públicos. Além dos desvios outros de recursos que poderiam salvar pacientes nos corredores dos hospitais deste país, com o sem covid-19 e outras enfermidades soma-se o desejo de poder eterno.
O eleitorado ainda está decepcionado com o que ocorre na totalidade dos estados e dos municípios. Exemplo cristalino no Estado do Rio, com sucessivos gestores públicos presos e outros investigados. Portanto, o desejo do eleitor de não votar está mais do que justificado. Ou se muda o modo operante do fazer política, com transparência, seriedade e honestidade, ou, em breve, ninguém vai mais votar.

HÉLDER CORDEIRO
JORNALISTA

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