A Independência do México

AIndependência do México, país a que sirvo desde 2000 como cônsul honorário, não foi pacata como a do Brasil. Lá, houve um longo conflito. Aliás, a História do México é plena de combates.
Ao contrário, o nosso país virou independente de Portugal sem perdas humanas. O México, desde a chegada dos espanhóis às terras dos povos indígenas, começou o morticínio. Segundo a História, havia dezenas de denominações com línguas próprias e diferentes. Hérnan Cortês e seus subalternos mataram parte desses povos. Só cessaram quando a munição acabou.
O conflito que levou à Independência do México teve várias nuances. O D. Pedro I do México foi um sacerdote católico, o padre Miguel Hidalgo y Costilla, dito Miguel Hidalgo. No México, como em outros países hispânicos, o primeiro nome de família – ou sobrenome – é o do pai. O nome da mãe, embora conste do registro de nascimento, não é usado.
Assim, Miguel Hidalgo foi o protagonista do “Grito de Dolores”, no dia 16 de setembro de 1810. Esse grito eclodiu dentro de uma simples Igreja do lugar Dolores Hidalgo, no hoje estado de Guanajuato.
Como se nota, neste ano de 2020, o México completa 210 anos como país independente e terá muito o que comemorar, pois hoje é o mais importante e o mais culto país de língua hispânica das Américas.
Voltando ao fio da história: não bastou o grito para que o México, então Vice-Reino da Nova Espanha, ficasse independente. Oito anos se passaram para a poeira assentar e terminar com a guerrilha que acontecia nas serras ao sul daquela pátria.
De 1810 para cá, o México passou por outras tantas lutas, sendo a mais cruenta a que travou (1846-48) com os Estados Unidos quando perdeu metade de seu território. Eram mexicanos os estados da Califórnia, Nevada, Texas, Utah, Novo México e parte do Arizona, Colorado e Wyoming.
Por outro lado, essa guerra significou, paradoxalmente, o caminho para a primeira libertação dos negros escravos americanos, pois no México já não mais havia escravatura.
A construção de um muro divisório de fronteiras, proposta do governo Donald Trump, se erguido totalmente, deverá ter mais de 3.000 quilômetros lineares, o equivalente à distância entre Fortaleza e Porto Alegre. O Muro de Berlim, derrubado em 1989, possuía pouco mais de 100 km de extensão. Um nada comparado ao sonho de Trump.
O México é o 6º. país mais visitado do mundo. Em 2018, 44 milhões de estrangeiros estiveram por lá. No mesmo ano, o Brasil contentou-se com 6,5 milhões de visitadores.
Os que desejarem conhecer um pouco mais das artes e das culturas mexicanas poderão aproveitar três exposições ora em curso na Galeria BenficArte.
Uma mostra sobre o país e toda a sua diversificada beleza de mares, vales, desertos e montanhas. A segunda, homenageia a grande e controversa pintora Frida Kahlo, inclusive com reprodução de seu quarto e da cama, com espelho no dossel para que, deitada, fizesse série de autorretratos. Na terceira exposição, a artista plástica Emília Porto demonstra sua paixão pela face de Frida, em quadros de bom quilate.
Viva México!

JOÃO SOARES NETO
CÔNSUL HONORÁRIO DO MÉXICO NO CEARÁ

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