Com o desaparecimento do extraordinário homem público, JOSÉ MARTINS RODRIGUES, coube-me, por sua indicação, ocupar a Presidência do MDB no Ceará, num instante delicado, com a suspensão dos seus direitos políticos, um ato injustificável, já que ele fora uma figura inatacável, com postura retilínea, daí por que a medida indignou em muito os revolucionários, que, entre nós, identificavam naquele Varão de Plutarco uma exatidão de vida impecável, que exercia uma oposição ao Poder Militar, apenas admitindo-se que ele participasse de passeatas de estudantes universitários, em Brasília, reivindicação de imediato restabelecida pelo Estado Democrático de Direito. Em correspondência, por ele firmada e trazida por Figueiredo Correia e Paes de Andrade, ele me colocava a par do seu afastamento, na mesma ocasião indicando aos companheiros o meu nome para substituí-lo, na condição de Vice-Presidente que era, conclamando-os a aceitar a sugestão, com ele generosamente destacando a integral firmeza de minhas convicções, apto, no seu entender, a conduzir a nossa agremiação para o enfrentamento dos desafios que haveríamos de descortinar, num instante ainda nebuloso no panorama político do País. Para o meu posto, na Executiva, fora indicado Ozires Pontes, representante da corrente petebista, num congraçamento das duas forças partidárias. No período em que a reforma política predominante apontava para um bipartidarismo, prevalecente em nossa estrutura democrática, investir-me em clima de explicita complexidade, quando busquei unificar o conjunto de alas existentes entre nós, tentando, como meta inarredável, a coesão entre os diversos grupos dentro da legenda, a fim de que pudéssemos agregar, unissonamente, lideranças de ambas as siglas para os embates futuros. Durante 27 anos, permaneci nesta função, empenhado, sobretudo, na recomposição de nossos quadros, com vistas a que tivéssemos condições de pleitear cargos majoritários, quando fosse o momento propicio à vitória de nossos correligionários. Essa conduta solidária a MARTINS RODRIGUES valeu-me a correta orientação de trabalhar, mesmo de Brasília, para consolidar tal indicação, que terminou por guindar-me ao Congresso Nacional, no mais retumbante triunfo já alcançado em minha existência, tudo isso, por força, também, da incorporação consequente de alguns militantes de outra legenda situacionista, que discrepou do candidato governista, abrindo, desta maneira, o caminho para uma árdua, mas glorificante conquista, assegurada pelo eleitorado de nossa Metrópole, por mim retribuído com a AUTONOMIA POLÍTICA DAS CAPITAIS, que empolgou a Nação brasileira.
MAURO BENEVIDES
JORNALISTA E
SENADOR-CONSTITUINTE
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