Acrise econômica que tem assolado o País nos últimos meses, devido à pandemia da covid-19, fez, por um lado, despertar mais ainda todo o potencial de crescimento do Nordeste. Apesar de ser a região que, historicamente, sempre concentrou os piores indicadores socioeconômicos, tem sido exatamente o Nordeste a região menos afetada em termos econômicos em todo o Brasil.
Muitos setores empresariais que registraram significativas quedas em suas atividades no Sul e Sudeste, oscilaram muito pouco no Nordeste, alguns até, surpreendentemente, apresentaram crescimento em suas vendas durante a pandemia, como é o caso do varejo de bens de primeira necessidade e, em menor escala, o de construção civil.
Esse desempenho deve-se basicamente ao auxílio emergencial, que desde abril tem beneficiado aproximadamente 65% das famílias nordestinas. São, portanto, quase 40 milhões de pessoas que, com o reduzido abono de apenas 600 reais (mais de meio salário mínimo), galgaram a condição de consumidores e impulsionaram a economia local, despertando assim todo o potencial que a região dispõe.
O próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, que sempre demonstrou certo menosprezo pelo Nordeste – chegando referir-se aos governadores da região de forma jocosa, como “paraíbas”, agora, seduzido pelos frutos da elevação de sua popularidade entre os nordestinos, tem anunciado que expandirá os programas sociais às camadas mais pobres, e priorizará as obras e investimentos na região.
De fato, o Nordeste tem chamado à atenção já há algum tempo. Segundo um estudo do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), entre 2002 e 2019, o Nordeste viu o produto interno bruto (PIB) dos seus estados crescer, em média, 3,6% ao ano. Ou seja, o dobro do próspero Sul-Sudeste.
E, em um mundo global cada vez mais competitivo, são diversas as oportunidades que o Nordeste oferece para atrair investimentos. A natureza, que nos castigou com a escassez hídrica, nos logrou com um dos maiores potenciais de geração de energia solar e eólica do planeta. São inúmeros os empreendimentos já implantados e em projeto nesta área, que tornarão em breve o Nordeste exportador de energia para o resto do País.
Além da geração de energia, o Nordeste tem se destacado na atração de polos industriais de diversos setores, inclusive de alta tecnologia. Como, também, não podemos subestimar o potencial agrícola que a região dispõe e que será dinamizado, tanto pelo avanço da Ciência que tem desenvolvido tecnologias que elevam a produtividade e adequam o plantio de culturas às nossas condições de solo e climáticas (até trigo tem se cultivado no Ceará), como também à melhoria das condições hídricas, à proporção que as obras da transposição do Rio São Francisco e da integração de outras bacias se concretizarem.
Não esqueçamos do exponencial potencial turístico da região, que com a diversidade de equipamentos instalados nos últimos anos, certamente retomará seu ritmo de crescimento e geração de empregos, à medida que pandemia findar.
O Nordeste é o futuro.
JOSÉ MARIA PHILOMENO
ADVOGADO
E ECONOMISTA
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