Economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, avalia o cenário econômico de 2018


Segundo o especialista, o comércio terá um papel fundamental no atual processo de retomada do crescimento econômico. Inflação baixa, juros em queda, e reativação do mercado de trabalho compõem o cenário mais provável para o ano corrente
Divulgação
Após quatro anos de uma das mais profundas crises econômicas do Brasil, os sinais de retomada começam a se mostrar. O mercado de trabalho voltou a gerar vagas, a produção industrial aos poucos consome a capacidade ociosa e a inflação em queda pode estimular o consumo. O economista-chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, apresenta um breve relato do cenário atual econômico e revela novas projeções para a economia. O especialista é um dos convidados que participarão do 10° edição Fórum Nacional de Dirigentes dos Institutos Fecomércio, na sede da Fecomércio-CE, nos dias 8 e 9 de março. No encontro, Fabio Bentes ministrará a palestra “Metodologias de Projeções e Tendências 2018”. Confira a entrevista abaixo:
O que podemos esperar para 2018?
Do ponto de vista econômico, o ano de 2018 será mais favorável do que 2017. No ano passado o PIB avançou cerca de 1% e, neste ano, deverá crescer mais de 2,5% puxado pelo consumo, uma vez que, as condições de consumo continuam evoluindo positivamente. Inflação baixa, juros em queda, e reativação do mercado de trabalho compõem o cenário mais provável para o ano corrente.
Como o senhor avalia o atual momento da economia? Existe realmente essa retomada de crescimento?
Sem dúvida, há um processo de recuperação econômica em marcha. Em 2017, por exemplo, tanto a produção industrial quanto as vendas do comércio cresceram após três anos de quedas. A taxa de desemprego que iniciou o ano próxima dos 14%, fechou 2017 abaixo de 12% e precisa recuar para menos de dois dígitos até o final de 2018. A inflação de 2,95% foi a menor em quase 20 anos e caminha para encerrar 2018 próxima do centro da meta estabelecida pelo Copom.
Qual o papel do comércio nesta retomada?
O comércio terá um papel fundamental no atual processo de retomada do crescimento econômico. Durante a crise o volume de vendas do setor recuou 20% e, em 2017 houve alta de 4%. Portanto, o patamar pré-crise levará tempo para ser alcançado. Para este ano estamos projetando alta de 5%. Outros termômetros importantes corroboram essa percepção. O nível de ocupação no setor que havia sido afetado pelo corte de mais de 350 mil vagas durante a crise começou a reagir positivamente em 2017 quando foram abertos mais de 26 mil novos postos de trabalho. Para 2018, a CNC prevê a abertura de 80 mil novas vagas. O fechamento de lojas que havia acumulado a perda de 225 mil lojas em 2015 e 2016 começou a reagir favoravelmente no último trimestre do ano passado. Para esse ano projetamos a abertura de 20 novos pontos de venda no varejo brasileiro.
Que lições precisaremos aprender em 2018, para que o país tenha um crescimento sustentado nos próximos anos?
Duas lições serão fundamentais. Primeiramente, a de que o desequilíbrio fiscal não poderá penalizar o setor produtivo através do aumento da tributação, sobe pena de abortarmos a sustentabilidade do atual ciclo de crescimento. Em segundo lugar, é preciso que diante da aversão ao risco típico de um ano eleitoral com elevada incerteza no campo político, haja redução no custo dos investimentos. Ou seja, superada a ameaça inflacionária no médio prazo, é preciso que as empresas se deparem com taxa de juros menores ao longo do ano para que seja possível a materialização dos investimentos.
As eleições em 2018 podem atrapalhar a implantação de medidas necessárias na economia?
Mesmo em situações de normalidade o calendário eleitoral provoca distúrbios nos fluxos de investimentos das empresas. O problema é que o processo eleitoral de 2018 carrega uma elevada dose de incerteza. Nesse cenário, a previsibilidade econômica fica comprometida. Assim, atravessar 2018 sem perda de dinamismo econômico já será favorável. Entretanto, o fundamental é que os próximos governos já comecem 2019 implementando os ajustes necessários para reduzir o custo no Brasil.

By Samanta Abdala

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