Fatalidade do destino, agosto é um dos meses que tem 31 dias, quando deveriam ser 28, a exemplo de fevereiro. Se assim fosse, certamente, não estaríamos a nos lembrar da alarife decisão confirmatória de 31, em 2016, por 61 votos a 20, extinguindo o mandato da presidenta Dilma Rousseff. Aliás, os espertalhões costumam agir ao apagar das luzes, como verdadeiros vampiros, assim melhor de pegar a presa. Semelhante crime começou a acontecer a 31 de março de 1964, só consumado a 1º de abril, retirando do poder um outro presidente, João Goulart. E quando não se criminalizam pela deposição, o fazem obstando alguém a candidatar-se ao mais alto cargo da Nação.
Por mera convicção, togados do TSE cassam o direito de Luiz Inácio Lula da Silva de candidatar-se, infligindo ao PT prazo final, para substituição da chapa – (31 de agosto de 2018). Pior, um desses mentores, ainda no exercício nesse tribunal, pessoa habilidosa, cumpria uma agenda de desmonte nacional e de governos populares, de raízes externas. Equipe que fez vista grossa e ouvidos surdos quanto ao correr de uma campanha eivada de fraudes, fake news, corrupção eleitoral, só lembrando a eleição de Júlio Prestes, que ensejou a vitória da Revolução de 1930. Puro terrorismo político.
Nem tudo é desgosto nesse mês. Amargamos, na verdade, a renúncia de Janio Quadros, 25 de agosto de 1961, compensada pelas candentes expressões do grande líder Leonel Brizola, em seus memoráveis manifestos, atualizados, capazes de afugentar os eternos udenistas, encastelados nos palácios e tribunais. O primeiro deles, ante uma multidão diante do Palácio Piratini, em favor da posse de Jango, todos transmitidos pela Cadeia da Legalidade de 200 emissoras de rádio. “Cumpre-nos reafirmar nossa inalterável posição ao lado da legalidade constitucional. Não pactuamos com golpes ou violência contra as liberdades públicas. Dirijo-me ao povo brasileiro sobre pressões de grupos, inclusive do exterior, que precisam ser esclarecidos”.
Visto ameaça dos militares de bombardeio da sede do Governo, promete resistência, conclamando a todos para fazê-lo, até a última gota de energia. “Se esmagados, seremos com a nossa dignidade, do Rio Granfe do Sul”. Logo, o Brasil entendeu a mensagem. Em cada estado, estudantes, trabalhadores, jornalistas, políticos e autoridades eclesiásticas, se mobilizam. Governadores, se unem. Jornais, censurados; Armada da Marinha, pronta para agir; prisão do marechal Lott, por suas declarações nacionalistas; Mauro Borges, de Goiás, quer lutar, também; III Exército e Base Aérea de Canoas, aderem ao movimento. Povo nas ruas. Golpistas, cedem. Um agosto diferente, enfim.
INOCÊNCIO NÓBREGA
JORNALISTA
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