Ousei-me tomar de empréstimo ao título desta artigo, a paráfrase da famosa frase de Shakespeare: “Ser ou não ser, eis a questão”, exatamente pelo fato de que o enunciado é sobejado de fundo filosófico e parte da Tragédia de Hamlet. Ora, não é a drogadicção – uso compulsivo de drogas ilícitas – uma tragédia Skakespereana? Bom, faz tempo que o Brasil patina em liberar ou não o consumo da Cannabis sativa (maconha). O tema é por demais complexo, não havendo consenso. Isso porque o ultraconservadorismo e o fato de sermos um país extremamente cristão impede um entendimento real do que significa a legalização da “droga”. Interessante é que não há, em toda a História da Humanidade, nem um caso sequer de homicídio por uso de maconha. Na contramão disso, o Brasil é legalista quanto ao uso de álcool e até incentiva seu consumo. Esse diferentemente da maconha que é depressora do SNC – Sistema Nervoso Central – é altamente psicoestimulante, sendo causa de milhares de mortes por ano no País. Então, qual razão de tanta discrepância? Perdoe-me quem pensa diferente, mas deve-se a uma total desinformação e a um jogo de interesses mercantilistas capitaneado, sobretudo, pela poderosa indústria farmacêutica.
É fato que o uso medicinal já não tem tanta resistência, visto que a Ciência tem comprovado sua eficácia para o tratamento de muitas doenças. A Cannabis tem dois princípios ativos: o CBD (canabidiol) em que nas mais de 400 substâncias canabinoides mostra-se eficaz nos casos de neuropatologias como: epilepsia, esclerose múltipla, mal de Parkinson e outras de caráter neurodegenerativas e o THC (Treta-hidrocanabinol), onde repousa a querela. É que esse é o principal componente presente no que se chama de uso recreativo. Entretanto, não se trata de recreativo. Pesquisas no mundo todo, tem demonstrado que o THC é um potente ansiolítico e muito eficiente no tratamento de transtornos de ansiedade – à exceção dos 12% de pessoas que não podem fazer uso de nenhum tipo de droga, inclusive o vilão “angelicalizado”: o álcool. Dessa forma, já pensou o quanto a indústria farmacêutica deixaria de lucrar caso o THC – presente em mais de 40% na maconha – fosse liberado? Isso sem levar em consideração, o golpe que sofreria os maus psiquiatras – restringidos a prescrever abusivamente tanta droga lícita -, o fechamento dos CAPs, que, lamentavelmente tem servindo em grande parte apenas como cabide de empregos e, principalmente, o tiro certeiro no tráfico desta droga, que, apesar de não ser o carro-chefe de nenhuma das grandes organizações criminosas em atuação no País, representa cerca de R$ 100 milhões a essas. Portanto, em nome da Ciência e com base ao que o mundo tem adotado como política pública de saúde e de diminuição de desnecesssário Encarceramento de usuários (dependentes), eu digo sim à legalização da maconha.
ODAILSON DA SILVA
PSICANALISTA E ESCRITOR
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