Faltam investimentos para o Brasil crescer

Todos nos questionamos por que temos sido incapazes de promover o crescimento econômico ao qual fazemos jus. Apesar de todas as potencialidades que dispomos, detentores que somos de um mercado pujante de mais de 200 milhões de consumidores, um território dotado de vastos e invejáveis recursos naturais, e de termos desenvolvido o mais robusto agronegócio do planeta, além de uma moderna e competitiva indústria, o Brasil nas última décadas é a economia emergente que menos cresce no mundo ficando inclusive no ante penúltimo lugar entre as economias da América do Sul, perdendo apenas para as combalidas Venezuela e Argentina.
Mesmo antes do advento pandemia do Covid-19 no início deste ano, que derrubou drasticamente a economia global como um todo, já enfrentávamos sérias dificuldades para nos recuperamos da tormentosa recessão de 2015 e 2016, que afundou o PIB nacional em mais de 7%. Desde então, apesar de todos os esforços, temos amargado crescimentos anuais pífios na ordem de minguados 1% ao ano, ou seja, menos de 1/3 do crescimento da economia mundial.
Dentre os diversos fatores atribuídos como causas de nosso baixo crescimento econômico, o principal recai sobre a incipiência de investimentos. A China passou, num curto prazo de 30 anos, de uma economia quase feudal para ser a atual grande locomotiva da economia global mediante um processo de abertura econômica e investimentos de 45% do PIB ao ano. Enquanto que o Brasil trilhou o caminho inverso. De quase 30% na década de 1970, chegamos hoje a tão somente 13,3% de investimentos em relação ao PIB.
Nas décadas de 1980 e 1990, cerca de 70% dos países já investiam mais que o Brasil. Essa porcentagem subiu para 80% no começo deste século e agora já está em 90%. Não tem outro jeito, para crescer mais e gerar emprego, é preciso termos uma taxa de investimento maior.
A crise provocada pela pandemia agravou ainda mais este quadro. Levantamento a partir de dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra que, em uma amostra com 31 economias avançadas e emergentes, o Brasil foi o terceiro país no qual os investimentos mais retrocederam no segundo trimestre do ano – um recuo de 15,4% na taxa de investimentos brasileira entre abril e junho, em relação aos primeiros três meses do ano.
O brasileiro nunca esteve tão ansioso para ver o país crescer novamente. Não é para menos. Afinal, são anos de estagnação econômica com efeitos reais para a população.
Elevar os níveis de investimentos requer tornar o país mais atrativo aos negócios; proporcionar oportunidades e segurança jurídica aos investidores internos e externos; sanear as finanças públicas possibilitando ao Estado modernizar e ampliar a rede de infraestrutura; reduzir as taxas de juros e ampliar a oferta de crédito a médio e longo prazo, entre outras medidas contidas no receituário que todos conhecem. Só falta coordenação e vontade política de eleger o crescimento sustentável como a maior prioridade nacional.

JOSÉ MARIA PHILOMENO
ADVOGADO
E ECONOMISTA

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