Óleo de soja, linguiça e queijo puxam alta de preços de alimentos em Fortaleza, diz IBGE


Aumento de preços em produtos alimentícios reduz poder de compra da população mais pobre, analisa especialista. Queijo foi um dos produtos que registraram maior alta em agosto na capital.
Raquel Costa Faria/Divulgação
A alta nos preços dos alimentos tem impactado no cotidiano e no bolso dos consumidores. Segundo a pesquisa Índice Nacional do Consumidor Amplo (IPCA), o preço dos itens de alimentação registra alta de cerca de 6,10% no ano em Fortaleza. Um destaque é o óleo de soja, que apresentou um crescimento de 8,08% em agosto. A pesquisa foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (9).
O crescimento do preço dos alimentos na capital tem uma média acima da observada no país, que foi de 4,91% no ano. Em agosto, este segmento teve um leve crescimento de 0,20% ante o resultado de 0,13% visto em julho, na capital.
Para o conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon), Ricardo Eleutério, a elevação dos preços dos alimentos é prejudicial “sobretudo as pessoas que têm renda menor”.
“Os alimentos que têm subido muito, tem um impacto maior para quem tem renda menor. Gera um desequilíbrio. Nisso, as pessoas gastam quase tudo o que recebem com alimentação. Isso tira o poder de compra de quem tem renda menor, e o cearense tem uma renda média pequena em comparação ao Brasil”, avalia.
Alguns alimentos que inflacionaram em agosto:
Óleo de soja: 8,08%
Linguiça: 6,24%
Queijo: 4,20%
Chã de dentro: 3,90%
Maçã: 3,14%
Costela: 3,06%
Leite: 2,93%
Arroz: 2,83%
Feijão fradinho: 2,83%
Chocolate: 2,73%
Contrafilé: 2,71%
Eleutério avalia que a alta do dólar, o crescimento das exportações, o desabastecimento do mercado interno, as importações e a elevação dos custos de produção são itens que têm impactado no preço dos alimentos.
“A alta do dólar estimula a exportação de produtos agrícolas, e isso gera falta no mercado interno, porque, para o exportador, ele recebe mais com a alta do dólar e isso encarece a importação. A queda nas cadeias produtivas também tem pressionado o preço de alguns produtos. Com o retorno das atividades, a demanda aumentou, a produção não consegue atender e esse tipo de problema gera o que a gente chama de inflação de custo, o preço final sobe porque a produção também encareceu”, explica.
Veja a inflação do grupo alimentos mês a mês:
Janeiro: 0,83%
Fevereiro: 0,94%
Março: 1,16%
Abril: 1,67%
Maio: 0,72%
Junho: 0,31%
Julho: 0,13%
Agosto: 0,20%
Deflação
Em agosto, o índice geral da inflação em Fortaleza apresentou um leve recuo de 0,23%, puxado pela deflação de 7,70% do grupo educação. Dentro do grupo, os itens que mais tiveram redução foram: pré-escola (18,69%), ensino médio (9,79%), educação de jovens e adultos (9,61%), ensino fundamental (9,42%), cursos regulares (9, 22%) e ensino superior (7,90%).
Segundo o economista Alex Araújo, esse resultado significa um “motivo de preocupação do que de comemoração”, pois não simboliza que os preços estão reduzindo.
“Foi uma queda devido ao grande número de cancelamentos de matrículas de educação privada, principalmente de crianças menores e em colégios de menor porte. Isso sinaliza um problema, porque as famílias não estão tendo condições de pagar as mensalidades. E o ato de cancelar força as escolas a reduzirem a mensalidade, gerando uma queda de preço. Não é que o serviço esteja barato, é que com os cancelamentos as escolas estão tentando reduzir os custos”, pontua.
De acordo com o IBGE, no mês, Fortaleza teve o menor recuo do Brasil. Atrás de Fortaleza estão: Rio de Janeiro (-0,13%), Belém (-0,04%) e Grande Vitória (-0,03%). Com o resultado, a capital cearense acumula uma inflação de 1,32% no ano e 2,8% nos últimos 12 meses.

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