Com a queda do Muro de Berlim, muitos acharam que o mundo estaria livre das travas de uma reedição da Guerra Fria, o conflito entre EEstados Unidos e a então União Soviética, que atemorizou o mundo com suas armas atômicas. Ledo engano. Envolvendo espionagem, ameaças e sanções comerciais, uma “nova configuração” da velha Guerra Fria vem sendo esboçada, a pouco e pouco, com consequências imprevisíveis, pelos hodiernos protagonistas da cena do capitalismo mundial: Estados Unidos e China, os dois leviatãs do comércio global, responsáveis pelo acúmulo de riquezas imensuráveis nas mãos das castas dominantes insaciáveis do capitalismo esquizofrênico e destrutivo sino-americano.
O duelo original Kremlin X Casa Branca se caracterizou pelo antagonismo político-ideológico, corrida armamentista e tensão constante entre os blocos – capitalista e socialista – que teve início com o fim da segunda guerra mundial – distribuindo força e submissão em um cenário de centro e periferia, “sem constituir um período homogêneo, em razão do agravamento das tensões seguido da distensão entre os pólos rivais”. Tendo como um dos clímax a Guerra da Coreia (1950), a bipolarização durou quase meio século, até o esfacelamento da União Soviética, em 1991. Mas em 1953, com a morte de Stalin, Kruschev já iniciava o período conhecido como “Coexistência Pacífica” entre as duas superpotências, conforme análise de abalizados historiadores.
Combater o comunismo; defender o “mundo livre” da influência da URSS; recuperar as economias europeias: eram esses os principais objetivos dos EUA. Pelo lado da Cortina de Ferro a tarefa central era afastar os países da europa oriental da influência do Tio Sam.
Kominform; Plano Marshall; Comecon; Revolução Chinesa; Guerra da Coreia; Armistício de Panmunjon; Conferência de Bandung; Corrida Espacial; Guerra do Vietnam; XX Congresso do PCURSS; Revolução Cubana;Muro de Berlim; Crise dos Mísseis de Cuba: eventos que são definidores de uma nova era calcada numa revolução tecnológica que nasceu para as batalhas da II Guerra, englobando tudo, da medicina às armas termonucleares, passando pelo raio lazer, desenvolvimento da computação, aviação a jato, etc.
Acreditem ou não, uma nova (e informe) Guerra Fria está surgindo sim! Em novas bases… não importando mesmo a moldura da velha nomenclatura! Não haverá repetição nem farsa.
Certo mesmo é o grave risco que correm os estados democráticos. Essa nova bipolarização imperialista pode lançar o mundo numa espécie reality show totalitário.
FERNANDO MAGALHÃES
ASS. TÉC. DA ALECE
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