O mês de setembro continua dedicado à prevenção do suicídio. Essas ações vida são mais frequentes do que se imagina e ainda sofrem com subnotificação das ocorrências. No entanto, saber lidar com pessoas possivelmente doentes e dar-lhes ouvido é eficiente para evitar mortes de muitas das mais de 600 vítimas de atos contra a própria vida, por ano, no Ceará.
Para mitigar esse índice, projetos visam acolher pessoas em situação de crise e, além disso, familiares que sentem necessidade de apoiar parentes ou de superar a perda daqueles que já partiram. Exemplo desse apoio, especializado e gratuito, é o Instituto Revoar, braço social da Rede Memorial Fortaleza.
Segundo a Vice-presidente da iniciativa e psicanalista, Elaine de Tomy, as atividades relacionadas à saúde mental realizadas no ano todo, focadas, em setembro, para o tema do suicídio, propõem-se ajudar aqueles que necessitam e, além disso, “é uma forma de chamar atenção das políticas públicas. Por que se nós não tivermos nenhuma campanha firme, forte, como essa, vamos sempre deixar passar a possibilidade de priorizar essa realidade”, explica.
A especialista afirma que o número de pessoas que se matam é muito alto, chegando perto da média de duas pessoas por dia. Ele, porém, é potencialmente maior, “pois muitas pessoas que são vítimas do suicídio não tem essa causa morte em sua certidão de óbito”, diz.
Ajuda eficaz
Elaine de Tomy rememora casos de pessoas que recorreram a ajuda do instituto a qual ela faz parte e conseguiram, apoiadas, afastar a ideia de atentar contra a própria vida e voltaram a ver sentido nas coisas. “Nos grupos presenciais, por exemplo, que esse ano não estão ocorrendo, há muita procura de quem está sofrendo com problemas emocionais e também de familiares. E quando terminamos o encontro, muitos nos procuram para contar os resultados positivos”.
A psicanalista revela que escuta frase como: “eu procurei um psiquiatra e estou fazendo terapia”. E isso demonstra que, trabalhando a estrutura emocional e dando apoio para essas pessoas, existem plena possibilidade de que elas voltem a viver suas vidas com dignidade.
Como ajudar
Para a especialista, os amigos e familiares de uma pessoa que está sofrendo podem auxiliá-la, de modo a impedir que ela acabe vendo no ato de tirar a própria vida a única alternativa para sanar a dor que está sentindo. Elaine enumera ações que qualquer um, mesmo não sendo médico, psicólogo ou estudioso da área, pode tomar.
“Demonstrar cuidado; está sempre por perto; ser empático; incentivar a pessoa. Se a pessoa não está conseguindo fazer algo sozinha, como enviar um currículo após ter perdido o emprego, podemos ajudar a pessoa nesse sentido. Acompanhando também em alguma atividade física. E é necessário ter cuidado com palavras que possam diminuir aquela pessoa, fazendo com que ela se sinta pior”, expõe.
A psicanalista reitera que nove em cada 10 suicídios são passíveis de serem evitados. Para isso, no entanto, é necessário que, tanto os amigos e familiares ajudem como, também, a própria pessoa busque auxílio. “Uma das soluções maiores do suicídio, para quem está sofrendo com essa ideia, é conversar. Quando se fala, se previne”.
Serviço
O Instituto Revoar promove o Grupo de Apoio Emocional (Gaer). A participação é gratuita e está, durante o período de pandemia, ocorrendo online. São encontros semanais, coordenados por uma psicanalista. A inscrição pode ser feita pelo link disponibilizado no Instagram da iniciativa, @institutorevoar.
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