O TSE, em cujas mãos está a realização do mais complexo pleito eleitoral da sua História, teve manchada a sua credibilidade. Por quatro votos contra três, tornou elegíveis centenas de políticos inelegíveis por oito anos, acusados e condenados por crimes de corrupção ativa e passiva, além de atos de improbidade. Observando critérios interpretativos foi decidido que os corruptos e os ímprobos estarão livres e soltos para retornar ao poder. Ministros da corte eleitoral repetiram Padre Cicero com a sua celebre frase “quem matou não mate mais, quem roubou não roube mais”, perdoando políticos criminosos com um surpreendente desfecho que violentou a essência da lei. Por decurso de prazo foram anulados procedimentos anteriores, concedendo-se a políticos que estavam “sub judice”, os mesmos direitos de candidatos honestos. Em seu arrazoado o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a extensão da inelegibilidade deveria ter sido feita pelo próprio Congresso Nacional, quando da apresentação da PEC 107 em que foi determinado o adiamento da eleição, Não se registraram fatores estranhos no ritual estabelecido para um julgamento que terminou por aceitar novas regras.
Abandonando o barco. |O PSDB entende que senador Tasso Jereissati guarda, no seu interior, frases não reveladas para manifestar o seu desejo de deixar a vida pública como presidente do Senado Federal. Isso significa que sua excelência está se despedindo levando ao sacrifício os seus correligionários. Em suma, estaria ele unindo-se a adversários para concluir com fecho de ouro um histórico iniciado em 1986, quando se elegeu governador do Ceará pela primeira vez.
Todos já sabiam. Em reunião tardia e sob o efeito da conspiração com Cid Gomes para apoiar o candidato do PDT, Tasso Jereissati chamou à sua residência os deputados Roberto Pessoa e Capitão Wagner, Chiquinho Feitosa, do DEM, e o pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza, Carlos Matos, para “informar” o que todos já sabiam.
Hora da verdade. Do deputado Roberto Pessoa ouviu o que não queria. “Se o PSDB apoiar o PDT, eu deixo o partido”. Ficou claro que o senador terá em breve, sob o seu comando, um partido nanico e ameaçado de sumir da política estadual, e defendeu o nome do Capitão Wagner, a quem o partido já havia apoiado em 2016, quando Roberto e Tasso se uniram num projeto político para derrotar os Ferreira Gomes.
Clima tenso. Quanto ao Capitão Wagner, comportou-se como um estranho no ninho. Com o clima tenso, não opinou sobre a aliança Tasso-Cid, mas pediu que o informassem das démarches futuras, argumentando que não fechou a sua chapa esperando um nome do PSDB para figurar na vice.
Caio e Matos. Ainda do encontro, Chiquinho Feitosa sugeriu o nome do advogado Caio Asfor Rocha, seu genro, para vice na chapa do Capitão Wagner, sem obter resposta imediata. Há gestões a serem processadas, ainda, antes que Carlos Matos, nome sugerido por Wagner, ganhe musculatura.
Guerra na Câmara. André Figueiredo, do PDT, diz que a reforma administrativa, a despeito da sua necessidade e urgência, terá o maior debate da História do Congresso. Será uma guerra, ante o plano do Governo de atribuir ao funcionalismo a culpa pelo rombo de quase 90% na arrecadação da União.
“Somente através de uma ação total do MPF, MPE, PF e TSE será possível impedir que o pleito de novembro seja o mais corrupto das últimas décadas”. Ayres de Britto, ex-presidente do STF.
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