MPCE recomenda retorno de 100% da frota de ônibus em horários de pico em Fortaleza


Sindicato das empresas promete mais 140 veículos circulando a partir de segunda-feira. MPCE discutiu aglomeração no transporte coletivo de Fortaleza.
José Leomar/SVM
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) vai recomendar ao prefeito Roberto Cláudio (PDT) que, em até dez dias, 100% da frota de ônibus de Fortaleza volte a circular no horário de pico. Na manhã desta sexta-feira (17), o MPCE realizou uma audiência para discutir sobre a aglomeração no transporte público durante o período de pandemia.
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“Nós iremos recomendar ao prefeito que 100% da frota seja implementada no prazo máximo de dez dias, com a prefeitura municipal subsidiando esse retorno de 100% da frota nos horários de pico”, declarou a promotora de Justiça Ana Cláudia Uchoa.
Em resposta, o Sindiônibus, que representa as empresas, garante mais 140 ônibus já a partir de segunda-feira (20), na capital.
“A frota adicional de 140 ônibus trouxemos como resposta. Não é número jogado, temos estudos da demanda. A cada etapa [do plano de retomada] que abre, vai aumentando devagarzinho. A projeção apontava para [inclusão de] 70 ônibus na segunda. Então a gente dobrou por precaução”, garante o presidente da entidade, Dimas Barreira.
A promotora de Justiça da Saúde Pública, Isabel Porto, destacou a preocupação que esse aumento de frota não seja o suficiente para garantir a não aglomeração dentro do transporte coletivo. “Tem preocupação com contágio, sim. As pessoas podem estar assintomáticas. Quem pode garantir que não está ocorrendo contaminação [nessas lotações]? Prometeram mais 140 ônibus pra segunda, mas o quantitativo deve ser bem maior”.
De acordo com o Sindiônibus, em junho, a frota circulando em Fortaleza era de 1.102 ônibus -total correspondente a 64% da frota do mesmo período de 2019. No mesmo mês, houve redução no número de pessoas transportadas: os 8,2 milhões de passageiros corresponderam a apenas 38,1% dos 21,7 milhões usuários no mesmo mês do ano passado.
Também presente na reunião com o MPCE, o titular da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), João Pupo, contudo, não deu prognóstico positivo para a medida diante dos problemas econômicos gerados pela pandemia. “Temo que não haja os recursos financeiros suficientes para fazer face a essa despesa. mas vamos receber a recomendação e dar a ela a resposta embasada”, conclui.
Além dos representantes do Sindiônibus e do MPCE, foram convocados para a reunião representantes da Agência Reguladora do Estado do Ceará (Arce); da Socicam Administração, Projetos e Representações LTDA, que é responsável pela administração dos terminais rodoviários de Fortaleza.