Maioria dos brasileiros apoia o término da escala de trabalho 6×1 sem cortes salariais, revela pesquisa.

Uma pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados revela que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala de trabalho 6×1, sem redução nos salários. O levantamento, realizado entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro com 2.021 entrevistados em todo o país, tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

Inicialmente, 63% dos respondentes se declararam favoráveis ao fim da escala em uma pergunta geral, mas o índice saltou para 73% ao condicionar a mudança à não redução de remuneração. Já em cenários com corte proporcional aos dias trabalhados, o apoio despenca para 28%. Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, explica que muitos brasileiros vivem “apertados financeiramente” e priorizam os rendimentos extras, caso haja corte de salários.

Aproximadamente 11% rejeitam qualquer alteração, mesmo se forem preservados os ganhos. Além disso, 84% defendem no mínimo dois dias de descanso semanal para os trabalhadores brasileiros.

Variações regionais e eleitorais na pesquisa sobre a escala 6×1

O apoio varia por região e perfil eleitoral, com maior adesão no Nordeste (74%) e Sudeste (66%), segundo dados complementares da Nexus. Entre eleitores de Lula em 2022, 71% são favoráveis, contra 53% dos votantes de Bolsonaro, que mostram 32% de oposição.

Os números da pesquisa apontam ainda que 62% ouviram falar da proposta de fim da escala 6×1, mas só 12% a entendem bem, com 35% desconhecendo o assunto por completo. O conhecimento influencia: 71% dos bem informados apoiam, contra 55% dos que não estão bem informados sobre o tema. Para 52% dos entrevistados, o Congresso deve aprovar a medida; 35% duvidam.

PEC da escala 6×1 avança na Câmara sob liderança de Hugo Motta

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 foi encaminhada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 9 de fevereiro. Motta prevê votação no plenário em maio, após análise de legalidade na CCJ e em comissão especial.

O texto trata das alterações, com atenção especial para os principais setores afetados, com destaque ao varejo. O projeto vem ganhando tração como bandeira do governo Lula para o ano de 2026.

Propostas em debate e divergências

Diversas iniciativas tramitam no Congresso, com foco em jornada máxima de 36 horas semanais e sem perda salarial. Uma PEC na Câmara propõe 4 dias de trabalho por semana, com limite de 8 horas diárias, entrando em vigor 360 dias após promulgação. No Senado, texto aprovado na CCJ segue para plenário, podendo ir à Câmara sem alterações.

O governo inicialmente respaldou a proposta da Câmara, impulsionada pelas redes sociais, mas agora apoia o texto com mais viabilidade rápida. Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral, defende votação no primeiro semestre via projeto de lei com urgência, acelerando o trâmite. Audiências públicas, como a requerida por Erika Hilton na Câmara, debatem impactos econômicos e sociais.

Essas diferenças geram discussões: defensores enfatizam qualidade de vida (65% veem benefícios nessa área), enquanto críticos alertam para prejuízos empresariais, especialmente no Sul e Centro-Oeste. O Planalto vê o gesto de Motta como positivo, mas mantém opção de novo PL para agilizar.

Com os trâmites e os números divulgados na pesquisa, o fim da escala 6×1 pode redefinir o mercado de trabalho brasileiro ainda em 2026.

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