Integrantes de facção são presos pela morte de trans e de dois homens em intervalo de meia hora em Fortaleza


Trans, identificada como Soraya de Oliveira Santiago, de 35 anos, foi assassinada por ter presenciado a morte de um dos alvos dos criminosos A cabeleireira Soraia de Oliveira Santiago, trans, foi morta por ver homicídio
Reprodução
Dois integrantes de uma facção criminosa suspeitos de envolvimento em um duplo homicídio no Bairro Maraponga, que teve uma transexual como uma das vítimas, e uma morte ocorrida no Bairro Parangaba, ambos em Fortaleza, foram presos pela Polícia Civil. Os crimes ocorreram no mesmo dia, com minutos de diferença.
A trans, identificada como Soraya de Oliveira Santiago, de 35 anos, foi executada por ter presenciado a morte de um dos alvos dos criminosos. As informações foram divulgadas na manhã desta segunda-feira (31), durante uma coletiva.
Conforme o delegado Leonardo Barreto, diretor do DHPP, Francisco Anderson Pereira Costa, de 25 anos, com duas passagens por roubos e uma por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, e Sidney Marques Sousa, também de 25 anos, com antecedentes criminais por homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e permitido, associação criminosa e posse de droga, foram capturados na última sexta-feira (28), após terem o mandado de prisão preventiva cumprido.
Anderson foi preso no Bairro Vila Manoel Sátiro, na capital, enquanto Sidney foi localizado no bairro Jereissati I, em Maracanaú. Outros envolvidos já foram identificados e estão sendo procurados pela polícia. As investigações sobre o caso foram coordenadas pela 9ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Trans testemunhou crime
De acordo com a Polícia Civil, a transexual Soraya, que trabalha como cabeleireira, foi morta pelos criminosos por testemunhar a morte de Francisco Ediberto dos Santos Brasileiro, de 39 anos, que seria o alvo da dupla.
Os corpos de Soraya e Ediberto foram encontrados com marcas de tiros próximos à margem da Lagoa da Maraponga, no dia 12 de julho.
As vítimas foram recolhidas para a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), onde foram periciados e identificados, já que nos momentos iniciais da ocorrência não foi possível realizar a identificação dela.
Ao todo, 15 transexuais e travestis foram mortas no Ceará este ano. O caso mais recente aconteceu na madrugada do último sábado (29), quando uma travesti identificada como Branca foi executada próximo à BR-116, no Bairro Pedras, em Itatinga, na Grande Fortaleza.
Homicídio minutos antes
Ainda segundo a polícia, minutos antes da morte de Soraya e Ediberto, os dois homens presos participaram da morte de Gerson Ediberg Pereira dos Santos, 47 anos, ocorrida no mesmo dia, no Bairro Parangaba.
A vítima estava dormindo em uma calçada próxima ao terminal quando foi atingida pelos disparos.
Levantamentos da polícia apontaram que Ediberto e Ediberg eram pessoas em situação de rua e foram mortos por pertencerem a território rival ao do grupo que executou os crimes.
Os dois presos, assim com os outros foragidos, segundo a polícia, foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil, sem chance de defesa da vítima e para assegurar a execução do crime. Além disso, os suspeitos também irão responder por integrarem organização criminosa armada.
O inquérito policial sobre os casos já foi encaminhado ao Poder Judiciário, ocasião em que o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) decidiu denunciá-los pelos crimes. A Polícia Civil segue com as investigações em andamento para capturar os outros envolvidos nos homicídios.

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