A pandemia do novo coronavírus trouxe uma infinidade de novas preocupações para o cotidiano dos brasileiros. Mas além das máscaras e do álcool em gel, alguns cuidados podem reforçar a resposta imunológica do corpo. A hidratação, por exemplo, é um desses pontos essenciais. A médica nutróloga Márcia Beretta fala sobre a importância de se hidratar da maneira devida, não só nesse momento de crise sanitária, mas rotineiramente.
Afetando nossa imunidade, a hidratação ou a ausência dela agem da maneira mais direta possível, porque tanto as maiores quanto as menores reações químicas do corpo dependem desse equilíbrio osmótico. A ingestão individual de zinco ou vitamina D não têm eficácia sem que o grau de água no interior das células esteja em boas condições. É necessário “ter um ambiente propício para que aquele imunonutriente seja processado e recebido pelo seu corpo”. Ou seja, algum nível de desidratação ou hiper-hidratação pode interferir, diretamente, em várias reações bioquímicas que estão ocorrendo naquele momento.
A quantidade média de consumo de água por dia é de 2,5 litros, em geral. No entanto, Beretta explica as exceções à regra. Só existe uma restrição de ingestão de água em situações específicas como, “pacientes que tem uma insuficiência cardíaca avançada e de um grau descompensado. Então, essas pessoas têm que fazer uso diurético e o excesso de água pode causar um edema pulmonar; e também, as pessoas que fazem hemodiálise”.
Idosos compõem outra classe, que necessita de cuidados especiais. “O centro da sede dos idosos, que se localiza no sistema nervoso central, tem menor sensibilidade. A sede é um sintoma de alerta, se a gente está com sede, automaticamente procuramos água. E com essa sensibilidade menor, eles podem acabar não ingerindo a quantidade ideal de água. Outro ponto importante é que esses pacientes acabam tomando muitos medicamentos de uso contínuo para diferentes tipos de doenças. E para a pressão alta, doença comum entre idosos, um dos tratamentos são os diuréticos. Por tanto, eles vão eliminar, obrigatoriamente, mais água que o normal e precisam repor de uma forma mais específica”, alerta a nutróloga.
Alimentação
Para evitar quadros de risco, é ideal que se mantenha o equilíbrio entre o consumo diário de água e outros líquidos e alimentos que podem auxiliar no processo de hidratação. Melão, pepino, melancia, alface e tomate são algumas das comidas que auxiliam no processo, por conta de suas composições. Outro exemplo é o isotônico, bebida produzida a base de água com alto teor de sais minerais, em geral, recomendada para atletas de alto desempenho, porque expelem muito suor e precisam repor além da água, outros nutrientes perdidos.
Em contrapartida alguns alimentos podem causar prejuízos ao indivíduo e ao processo de hidratação. Beretta explica que alimentos com excesso de sódio vão exigir uma maior quantidade de água do organismo, para a neutralização, a fim de evitar que a substância alcance um nível maléfico. “O sódio e outros minerais, tanto a menos quanto a mais, podem causar danos no organismo. Então, quando você consome esses alimentos, você pode precisar de mais líquidos para diluir isso no seu corpo. Com certeza vai atrapalhar a homeostase, que é um estado de equilíbrio osmótico dentro do organismo.” complementa a especialista.
Bebidas alcoólicas também, dependendo da quantidade ingerida, podem gerar forte impacto. Quando metabolizado no fígado, o álcool gera a supressão do hormônio antidiurético, que diminui a urina, e essa supressão vai fazer com que você vá mais vezes ao banheiro. Ou seja, atinge diretamente o sistema urinário e faz com haja uma eliminação muito maior de água, o que aumenta ainda mais a absorção e a metabolização do álcool, formando um “ciclo vicioso”.
Dica
“Uma coisa que funciona muito na prática do consultório, que é barata e fácil [de se encontrar], mas muitas vezes negligenciada, é o hábito de ter uma garrafinha de água própria. Está comprovado que se a pessoa tiver ao alcance dos olhos uma garrafa d’água, ela vai ingerir mais água. Com a garrafa estando ali, você com certeza vai aumentar a sua ingestão hídrica. Essa é uma dica fácil, importante e que traz resultados”, conclui Márcia Beretta.
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