A pandemia de covid-19 traz, em si, diversos efeitos negativos à população, incluindo as milhares de mortes ocorridas em território cearense. No entanto, além das repercussões naturais de um vírus, outras sequelas estão sendo notadas por profissionais da saúde e por plataformas de pesquisa. A ferramenta de análise de tendências da maior empresa de pesquisas online do mundo, a Google Trends, por exemplo, registra aumento de 76% nas buscas do termo: “dor nas costas”.
O crescimento apontado se iniciou no final de fevereiro, atingindo pico no dia 25 de maio, época na qual muitas pessoas já estavam desenvolvendo seus trabalhos de casa, no modelo “home-office”. Dentro desse recorte, especialistas da área indicam a lombalgia como uma das principais responsáveis por pesquisas sobre dores na região citada.
Para o fisioterapeuta, especialista em fisioterapia traumato-ortopédica e desportiva, Roberto Monteiro, são várias as causas de uma dor lombar e, normalmente, é uma patologia que não se inicia por conta de um único elemento. “A lombalgia tem causas multifatoriais, mas podemos citar algumas hipóteses que contribuem como fatores de risco, como o sobrepeso e as mudanças nas atividades diárias”, cita.
Nesse sentido, Monteiro reitera que há sim possibilidade de que a pandemia tenha potencializado o aumento de reclamações relacionadas a esse tipo de dor. “No isolamento social se praticou muito o ‘home-office’, então uma pessoa que se locomovia muito passou a trabalhar demasiadamente sentada ou até em camas. Ou seja, em locais, ergonomicamente, não favoráveis”, explica.
O fisioterapeuta reitera que, infelizmente, a maioria das pessoas ainda acredita que, em caso de dores sentidas, a solução é o uso de remédios, como anti inflamatórios e relaxantes musculares, além de repouso. No entanto, essa fórmula mágica não abrange todos os casos e nem, muito menos, pode ser considerada como meio para cura.
“Os estudos mais modernos falam que o repouso é apenas para uma fase inicial, de até três dias, e se ocorrer”, diz o especialista, que justifica sua afirmação reiterando que os membros e órgãos do corpo conversam entre si, e apenas mitigar a dor com analgésicos, sem antes descobrir quais são as causa e possíveis complicações, pode piorar o quadro.
“Numa visão mais ampla, podemos buscar um fator, como o desequilíbrio muscular, que acontece por fraqueza ou por sobrecarga de outras articulações que compensam na coluna lombar. E isso sim é uma das grandes causas da lombalgia. Mas, para além desse fator mecânico, existem os lados psicológicos e sociais. Sabemos, por exemplo, que quando há algum estresse, alguma demanda psicológica, uma dor preexistente por ser potencializada”, detalha
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