Considerado um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio está entre as principais causas de morte de jovens entre 15 e 29 anos. Estima-se que, em cerca de 96% dos casos, a ação está associada a transtornos mentais, que, assim como qualquer outra doença, têm diagnóstico, tratamento e prevenção.
Por conta disso, o corrente mês é dedicado para a prevenção de atos contra a própria vida. Nesse sentido, a psicóloga com atuação na rede de proteção social básica no Interior do Ceará, Ruama Pinheiro, reitera a importância e a utilidade do momento, porém, é necessário que haja continuidade das ações para os meses subsequentes.
“Campanhas e práticas adotadas nesse período são úteis sim, apesar de que deveríamos falar sobre saúde mental e prevenção de suicídio não só nessa época do ano. Mas como foi escolhido esse mês, se torna importante pela ampla divulgação de informações, como os canais de atendimento, e para as pessoas conhecerem a rede de apoio local, descobrindo, de fato, onde procurar ajuda”, diz.
Dados corretos
Já a coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), Juliana Sampaio, afirma que a informação correta pode ser essencial para evitar casos de suicídio.
“As pessoas precisam saber onde buscar ajuda e orientações sobre sinais que indiquem risco de suicídio. Se você conhece alguém próximo que verbaliza, mesmo que indiretamente, a intenção de não mais viver, tente conversar de forma aberta, com respeito e sem julgamento. Incentive-a, também, a buscar ajuda profissional. Pessoas que estão em situação de sofrimento geralmente encontram-se vulneráveis emocionalmente e dizer algo equivocado pode fazer a pessoa piorar”, alerta.
Ainda de acordo com a psicóloga, os dois principais fatores de risco para suicídio são a tentativa de suicídio e o diagnóstico de transtorno de humor. “Existem outros fatores adicionais que precisam ser levados em consideração, como história familiar de comportamento suicida, exposição à violência familiar, abuso de drogas, impulsividade, ausência de apoio familiar e presença de armas de fogo em casa”, pontua Juliana Sampaio, que ressalta algumas das formas de prevenção.
Responsabilidade
“Há fatores de proteção importantes, como habilidades positivas de enfrentamento, apoio social positivo, senso de responsabilidade com a família, religiosidade e satisfação com a vida”, explica. É fundamental frisar que o tema deve ser abordado pelos profissionais de saúde e pela imprensa de forma responsável. Com a ampliação do acesso aos meios de comunicação e às redes sociais, o cuidado deve ser redobrado para que informações incorretas ou inadequadas sejam veiculadas ou divulgadas de forma sensacionalista
Segundo o psiquiatra e preceptor da residência em Psiquiatria do HSM, Matias Carvalho, a sociedade precisa compreender o sofrimento mental para saber como agir diante de situações de risco. “Qualquer pensamento de morte ou ação que remetam ao suicídio é muito importante ser levada a sério. Nessa hora, é necessário buscar ajuda de profissionais como psicólogos e psiquiatras para que o problema seja avaliado. Muitas vezes, recomendamos o uso de medicamentos e conseguimos êxito. O pensamento suicida é um pedido de ajuda, é uma situação de extremo desespero que merece acolhimento”, orienta.
Importam
Ruama Pinheiro reafirma que vidas importam e se alegra pelo tema estar mais em debate nos últimos meses. “É bastante positivo o crescimento do interesse da população por temas sobre saúde mental. O diálogo sobre vem crescendo, principalmente dentro do período de pandemia e isolamento social. Falar sobre saúde mental é tão importante e vital, porque problemas psicológicos também afetam nossa qualidade de vida”.
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