
Vendedor foi preso em operação que investigava familiares de criminosos que recebiam ‘mesada’ de facções. Preso em operação da PF foi prejudicado após emprestar conta bancária, defende família
Arquivo pessoal
O vendedor de sapatos Clisma Rodrigues dos Santos, de 29 anos, segue preso há três semanas, desde que foi detido na Operação Caixa Forte II, da Polícia Federal (PF). A família do jovem afirma que ele está sendo “injustiçado”. A operação mirou em familiares de chefes de facção que recebiam valores dos criminosos.
Na versão da família, Clisma emprestou a conta bancária para receber o valor da pensão do sobrinho, paga pelo pai do menino, que também foi preso.
“Já foram todas as provas do trabalho dele (Clisma). O dinheiro que entra na conta dele já foi comprovado que é o salário dele. Só que eles, infelizmente, não querem olhar com carinho e ver que ele é um inocente. Ele apenas cedeu a conta dele para a pensão do meu filho”, alega a irmã, Kátia Oliveira dos Santos.
Questionada sobre a reclamação da família de Clisma, a Polícia Federal respondeu que não comenta investigações em andamento.
A Operação Caixa Forte II, realizada no Ceará e em mais 19 estados no dia 31 de agosto deste ano, foi a maior operação da história da PF. Foram cumpridos 422 mandados de prisão preventiva e 201 mandados de busca e apreensão. Somente em território cearense, foram 22 mandados de prisão e 13, de busca e apreensão.
Os alvos eram principalmente familiares de membros de uma facção criminosa, que recebiam uma espécie de “mesada”, para contribuir com as despesas das famílias. O recurso seria proveniente do tráfico de drogas e os proprietários das contas são suspeitos de lavagem de dinheiro.
A defesa de Clisma ingressou com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) – Estado origem da Operação – o qual foi negado. O rapaz foi transferido para um presídio da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde ainda não recebeu visita dos familiares.
“Só o que a gente sabe é que ele chora muito, porque está sendo injustiçado. Nunca passou por isso. É uma vida que está sendo prejudicada por causa de pessoas. Ele é um rapaz trabalhador, nunca foi preso, nunca foi revistado. Trabalhava há seis anos na mesma empresa”, lamenta Kátia.
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