
Com alta de 0,57%, Fortaleza apresenta o maior resultado do país na prévia de setembro. Fortaleza acumula uma inflação de 9,31% no preço dos alimentos, no período de janeiro a setembro.
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O preço dos itens de alimentação tem pesado no bolso dos consumidores de Fortaleza. Além de afetar o orçamento, o aumento desses itens contribuiu para o crescimento da prévia da inflação na capital, que, em setembro, registrou a maior alta do país, com avanço de 0,57%. As informações são referentes à pesquisa Índice do Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (23).
IPCA-15: prévia da inflação oficial sobe a 0,45% e tem maior taxa para setembro desde 2012
Óleo de soja, linguiça e queijo puxam alta de preços de alimentos em Fortaleza, diz IBGE
O resultado da prévia de setembro também é o maior já mostrado pela pesquisa desde fevereiro deste ano, quando o indicador apontava uma prévia de 0,48%.
O economista Alex Araújo avalia que este era o resultado previsto para a inflação na capital, já que o preço dos alimentos estava pressionando a inflação. Ele ainda ressalta que este cenário de preços altos terá mais impacto sobre as famílias mais pobres, que sentirão mais o aumento dos custos.
“Em média, nós temos 55% do orçamento familiar no Nordeste dedicado para os gastos básicos. Isso tem um peso muito grande no orçamento. E quanto mais baixo for o nível de renda da família, mais o aumento da inflação vai afetar, principalmente, as famílias mais pobres”, pontua.
Alimentos que mais inflacionaram em Fortaleza:
Óleo de soja: 20,79%
Leite: 9,56%
Feijão fradinho: 7,42%
Arroz: 7,42%
Queijo: 7,06%
Farinha de mandioca: 6,32%
Linguiça: 6,26%
Carne de porco: 5,80%
Biscoito: 4,46%
Explicação
O economista explica que uma parte deste aumento corresponde aos movimentos do cenário internacional, principalmente pelo impacto causado pelo aumento do dólar. Além disso, o baixo nível de estoque do mercado interno faz com que os preços dos produtos encareçam.
De acordo com o IBGE, Fortaleza acumula uma inflação de 9,31% no preço dos alimentos, no período de janeiro a setembro. O grupo transportes também contribuiu para o resultado, os combustíveis tiveram um aumento de 5,09% no período, já o óleo diesel registrou um crescimento inferior, com alta de 1,74%. As passagens aéreas também tiveram um forte impacto, pois registraram crescimento de 7,42% no mês.
Benefício pela metade
Araújo avalia que, mesmo com a diminuição pela metade do valor do benefício do Auxílio Emergencial, o potencial de consumo dos itens básicos das famílias não será afetado neste primeiro momento. “Hoje a gente vê artigos acadêmicos que mostram que apenas 40% dos valores são dedicados para compra dos itens básicos, os outros 60% são destinados para pagamento de dívidas e reservas de poupança. As pessoas começaram a fazer reserva para se prevenir em relação a situações futuras”, comenta.
Inicialmente, o benefício era de R$ 600 (R$ 1.200 para as mulheres chefe de família monoparental). Com a decisão do Governo de prorrogar até o fim do ano o benefício, os valores foram reduzidos pela metade.
O economista ainda analisa que a redução do benefício poderá impactar no pagamento das dívidas, podendo ocasionar um aumento no número de inadimplentes.
“Essa redução, no primeiro momento, não deve afetar o consumo, mas sim o pagamento de dívidas, podendo elevar o número de pessoas em situação de inadimplência, pois a alimentação é um gasto essencial. Além disso, a questão das reservas financeiras das famílias também poderá reduzir”.
Grupos
A pesquisa revela que apenas dois grupos, dos nove pesquisados, registraram deflação: saúde e cuidados pessoais (0,55%) e despesas pessoais (0,12%). Já o grupo educação se manteve estável, sem indicar nenhuma variação, assim como o grupo habitação.
Em contrapartida, a capital apresentou alta nos grupos: transporte (1,54%), alimentação (1,26%), vestuário (0,84%), artigos de residência (0,66%) e comunicação (0,43%). Com o resultado, Fortaleza acumula a inflação de 2,42% no ano e 3,30% nos últimos 12 meses.
Aumento de alimentos eleva prévia da inflação em Fortaleza
