A taxa de desocupação no Ceará subiu para 12,1% durante a pandemia do novo coronavírus. É o que revela o primeiro estudo de âmbito regional sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus no Nordeste, apresentado, ontem, pela Ceplan Consultoria. O estudo compara a taxa do quatro trimestre de 2019 com o do segundo trimestre deste ano.
Em 2019, a taxa de desocupados, no Ceará, chegava em 10,1%, a menor na região Nordeste. Mesmo com 12,1%, a taxa ainda é a menor entre os demais estados nordestinos, e está abaixo que a média nacional (13,3%). Os dados mostram que a desocupação tem sido mais forte na Bahia onde a taxa de desemprego chegou a 19,9%.
Já a taxa de subutilização da força de trabalho – composta por aqueles que desistiram de procurar emprego porque não acreditam que estejam disponíveis e os não desalentados, que desejam trabalhar, mas não buscam por várias razões – houve um crescimento no segundo trimestre de 2020. Enquanto no Brasil o percentual foi de 29,1%, no Ceará foi de 35,9%. No Nordeste, a média foi de 41,8%, evidenciando uma forte ociosidade no uso dos recursos humanos.
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país teve um saldo negativo entre contratações e demissões de 1.547 milhão de empregos formais de janeiro a julho deste ano. Do total, 16,9% foi registrado no Nordeste, percentual superior à participação da economia da região na economia brasileira (14,5%). A maior perda de vagas ocorreu entre março e maio.
Na avaliação do economista da Ceplan, Jorge Jatobá, a retração da oferta de trabalho foi um dos efeitos da pandemia. “Um dos efeitos foi reduzir a participação das pessoas ocupadas ou buscando trabalho no conjunto da população de 14 anos ou mais”, afirmou.
Economia
De acordo com o estudo da Ceplan, os índices refletem as conjunturas econômicas do país e do mundo, drasticamente afetadas pela pandemia. A estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia global é de uma queda de 4,9% em 2020 – a maior retração registrada desde a crise de 1929.
No Brasil, o PIB caiu -5,9% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2019. No Nordeste, o índice de atividade econômica (IBC-Br), medido pelo Banco Central, sofreu uma redução de -3,5%. Nas três principais economias da região, a maior perda foi a do Ceará, de -4,9%, seguida por -3,5 da Bahia e -2,6% de Pernambuco. “Esse impacto foi diferente, porque essa recessão foi causada por uma pandemia. É como se a economia viesse caminhando e caído em um precipício. Não foi nada endógeno. Foi simplesmente o isolamento social provocado pela pandemia, que interrompeu bruscamente o desempenho da geração de renda e emprego”, explicou Jorge Jatobá.
Perspectivas
Quanto à retomada, a equipe da Ceplan aponta como principal desafio reestruturar o mercado de trabalho em tempos de maior flexibilização associada aos novos paradigmas técnicos, às mudanças no marco regulatório e na organização dos trabalhadores. “Na nossa leitura vai ser lenta e gradual. Somente não acredito na curva em V, como defende o ministro da economia, acho que vai ser uma curva em U, mais lenta”, disse a economista do Ceplan, Tânia Bacelar.
Uma das novidades no mundo do trabalho durante a pandemia foi o home office. Para a economista, apesar do formato de teletrabalho ter tendência a crescer e ser mais comuns em algumas ocupações, o modelo é seletivo por predominar mais no Sudeste e menos no Nordeste. “É mais para pessoas mais qualificadas, e certos tipos de trabalho não comportam o home office, porque precisam da proximidade física, então depende do tipo de atividade e da qualificação da pessoa”, observa.
No Brasil, a urgência em recuperar a atividade econômica e o nível de emprego – que já estavam lentos no período pré-pandemia – passa por investimentos públicos que não são fáceis de viabilizar num governo dividido sob quais rumos tomar. A Ceplan entende que novas formas de financiamento, como parcerias público-privada (PPPs) e concessões aparecem como o caminho natural para criar infraestrutura econômica e social com impactos diretos e indiretos para a demanda por trabalho.
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