Banco Central determina encerramento do Will Bank, fintech do grupo Master

O Banco Central (BC) anunciou hoje a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, um banco digital controlado pelo Banco Master. A decisão foi tomada devido à situação econômico-financeira comprometida, insolvência e vínculo de controle com o conglomerado que já havia sido liquidado.

Esta medida se segue à liquidação do Banco Master em novembro passado, após a descoberta de fraudes, como a venda irregular de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e a prisão do controlador Daniel Bueno Vorcaro por irregularidades na gestão.

No início, o Will Bank foi mantido sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET) com potenciais compradores interessados em adquiri-lo. No entanto, o não cumprimento de um acordo de pagamentos com a Mastercard inviabilizou essa continuidade, levando à liquidação do banco.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, nomeou um liquidante com amplos poderes para gerenciar o processo de liquidação, apurar responsabilidades e impor sanções administrativas, podendo encaminhar casos para as autoridades competentes.

Maurício Antônio Quadrado, associado ao Will Bank, foi recentemente implicado na segunda fase da Operação Compliance Zero, sendo identificado como sócio oculto de Vorcaro, o que ampliou as investigações sobre o grupo.

Com a interrupção das atividades do Will Bank, contas correntes, contas de pagamento e concessões de crédito foram bloqueadas. Entretanto, os CDBs emitidos pela Will Financeira estão agora cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF/CNPJ.

O processo de liquidação pode resultar em um resgate de até R$ 6,5 bilhões, o maior já realizado pelo FGC, sobrecarregando o fundo e gerando preocupações no mercado sobre a estabilidade de fintechs vinculadas a grupos problemáticos.

Entenda o caso Master

O escândalo envolvendo o Banco Master é considerado uma das maiores fraudes financeiras já registradas no Brasil. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro devido a irregularidades financeiras graves e suspeitas de fraudes milionárias.

O banco, sob o controle de Daniel Vorcaro, teria cometido manipulação contábil, emitido títulos falsos, vendido carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e usado fundos para esconder prejuízos, resultando em desvios de cerca de R$ 11-12 bilhões.

A Polícia Federal conduz uma investigação, a Operação Compliance Zero, que revelou várias irregularidades, levando à prisão temporária de Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) e a buscas contra Nelson Tanure.

O ministro Dias Toffoli, relator no STF, prorrogou as investigações, determinou a quebra de sigilo de 101 pessoas e empresas, bloqueou R$ 5,7 bilhões e apreendeu bens, como celulares, computadores e veículos.

O caso ganhou contornos políticos, com redes de influência em Brasília, contratos suspeitos com escritórios relacionados a familiares de ministros e críticas à atuação de Toffoli, que centralizou provas na PGR.

O FGC atende a 1,6 milhão de investidores, havendo recebido 600 mil pedidos de ressarcimento até o momento. Com a liquidação da Will Financeira (Will Bank), as investigações agora se voltam para conexões com lavagem de dinheiro para o PCC via outra entidade liquidada, a Reag DTVM, e para padrões de vida de luxo mantidos por meio desses desvios.

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