Banco Central apura conduta da gestão Campos Neto no caso Master

O Banco Central (BC) está conduzindo uma investigação interna para apurar a atuação da gestão do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, no processo de fiscalização e liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Essa fraude financeira bilionária, conhecida como caso Master, é considerada uma das maiores já registradas no Brasil.

Iniciada no fim de 2025 pelo presidente Gabriel Galípolo e sob a condução da corregedoria, a auditoria está examinando ações desde 2019, quando o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza autorizou a transferência do controle do Banco Máxima para o Master. A análise abrange a consolidação do processo, os problemas de liquidez identificados em 2024 e indícios de que a liquidação poderia ter ocorrido antes, apesar dos alertas prévios sobre os riscos do banco.

Souza, que chefiou a fiscalização até 2023 sob Campos Neto e continuou supervisionando o Master, foi afastado uma semana após a liquidação de novembro de 2025, assim como Belline Santana, do Departamento de Supervisão Bancária, devido a divergências sobre lançamentos no balanço. Os afastamentos, apesar de não haver acusações formais, visam garantir transparência, mas têm gerado desgaste entre os servidores experientes.

Logo após o início da sindicância, os chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, foram afastados. A medida busca transparência na atuação do BC, prestando contas à sociedade em meio a questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) e Supremo Tribunal Federal (STF).

O Banco Master foi à falência devido a uma expansão agressiva, com negociações frustradas para venda ao BRB (Banco de Brasília), que absorveu carteiras de crédito mas enfrenta perdas potenciais.

Entenda o caso Master

O escândalo envolvendo o Banco Master é apontado como uma das maiores fraudes financeiras já registradas no Brasil. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 devido a graves irregularidades financeiras e suspeitas de fraudes bilionárias.

O banco, controlado por Daniel Vorcaro, praticou manipulação contábil para inflar ativos, emissão de títulos falsos, venda de carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e uso de fundos para simular operações e ocultar prejuízos, totalizando cerca de R$ 11-12 bilhões em desvios.

A Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, com fases que revelaram uso de laranjas, empréstimos simulados, compras superfaturadas e lavagem de dinheiro, levando à prisão temporária de Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) e buscas contra Nelson Tanure.

O ministro Dias Toffoli, relator no STF, prorrogou investigações por 60 dias, determinou quebra de sigilo de 101 pessoas/empresas, bloqueio de R$ 5,7 bilhões e apreensão de bens como 39 celulares, 31 computadores e R$ 16 milhões em veículos.

O caso ganhou contornos políticos com redes de influência em Brasília, contratos suspeitos com escritórios ligados a familiares de ministros e críticas à condução de Toffoli, que centralizou provas na PGR.

O FGC atende 1,6 milhão de investidores com R$ 41 bilhões em CDBs, recebendo 600 mil pedidos de ressarcimento até agora, enquanto a liquidação se estendeu à Will Financeira (Will Bank) em 21 de janeiro de 2026. As investigações apontam ainda conexões com lavagem para o PCC via Reag DTVM (também liquidada) e padrões de luxo sustentados por desvios.

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