Autoridades investigam delitos eleitorais em Santa Quitéria, Ceará, durante eleição de 2024

Uma operação policial desencadeada nesta manhã de sexta-feira visa crimes eleitorais ocorridos durante as eleições de 2024 na cidade de Santa Quitéria, interior do Ceará. A operação, denominada Promessa Vazia, está sendo conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco/CE).

Segundo informações, as ações são uma continuação das investigações iniciadas pela Delegacia de Defesa Institucional (Delinst) da Polícia Federal (PF). Durante a operação, foram executados cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE/CE), em endereços relacionados aos investigados.

Os mandados foram cumpridos com o objetivo de coletar evidências que possam esclarecer a ligação dos suspeitos com facções criminosas. Alguns dos investigados foram candidatos a cargos políticos na cidade em 2024. As atividades criminosas sob investigação incluem corrupção e coação eleitoral.

A operação é resultado do trabalho conjunto das forças que compõem a Ficco/CE, em colaboração com o Ministério Público Eleitoral (MPE). As investigações continuam para aprofundar a apuração dos fatos e identificar todos os envolvidos nas ações criminosas.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco) é formada pela Polícia Federal (PF), Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), Polícia Militar do Ceará (PMCE), Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará (SAP).

No dia 26 de outubro, menos de duas semanas atrás, Joel Barroso (PSB) foi eleito prefeito de Santa Quitéria para o mandato até 2028, obtendo mais de 53% dos votos válidos. Ele é filho do ex-prefeito cassado José Braga Barroso, conhecido como Braguinha (PSB).

A cassação de Braguinha e do vice Gardel Padeiro (PSB) foi devido a abuso de poder político e econômico e apoio indevido recebido do Comando Vermelho, conforme apontado por investigações conduzidas pelo Ministério Público e Polícia Civil. Com a cassação, o município teve que realizar uma nova eleição para escolher um novo líder local.

De acordo com as investigações, as ordens para interferência nas eleições partiram de Anastácio Paiva Pereira, conhecido como “Doze”, natural de Santa Quitéria, foragido no Rio de Janeiro e um dos principais chefes do Comando Vermelho no Ceará. Sob suas ordens, a facção ameaçou adversários políticos, ofereceu drogas em troca de votos e intimidou eleitores, incluindo ameaças a funcionários da Justiça Eleitoral local.

Durante a campanha de 2024, o grupo criminoso disseminou mensagens de intimidação em redes sociais e pichações, ameaçou apoiadores da oposição e danificou veículos com adesivos de campanha. A estratégia criminosa incluiu apoio direto ao candidato Braguinha, embora sem registros de acordos formais entre ele e a facção.

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