Campanha eleitoral e obras inacabadas

Iniciada a campanha eleitoral para as eleições de 2020. Na batalha, 11 candidatos à sucessão do prefeito Roberto Cláudio. E esse em regressiva recontagem para o último dia de seu mandato, 31 de dezembro. Em situação semelhante estão outros mais de 5 mil gestores municipais em todo o País, com quatro ou oito anos de mandatos. Os de quatro anos, o direito de disputar reeleição, desde que não sejam judicialmente considerados ficha suja. Coisa rara.
O prefeito da capital cearense, Roberto Cláudio, está concluindo um segundo mandato de quatro anos. Logo, sem mais direito à reeleição ainda autoriza iniciação de novas obras, consciente de que não tem mais tempo para concluir o que não deveria iniciar em final de mandato. Vai deixar Fortaleza com imagem de cidade bombardeada e com único compromisso de eleger seu candidato aliado.
As máquinas estão bombardeando a Cidade e deixando os fortalezenses sem entender o porquê das multiplicadas dezenas de obras inacabadas. Buracos e crateras em todas as áreas dos corredores de tráfego; de lazer e ao longo do litoral, da Barra do Ceará à Beira Mar, além de inúmeras outras obras. Se tudo não for concluído até 31 de dezembro, quem vai fechar a porteira? Que Deus se apiede do próximo prefeito e dos fortalezenses. Juracy Magalhães deixou a Avenida Sargento Hermínio ainda inacabável.
“Quem vier atrás que feche a porteira”, dizia o então governador Virgílio Távora, quando da execução do pioneiro projeto Plameg I. No seu primeiro mandato, para alavancar a economia cearense, através da implantação de um polo industrial. Com seriedade e empenho VT mudou o Ceará. Inaugurou a chegada da energia elétrica de Paulo Afonso a Fortaleza. Virgílio Távora fechou a sua porteira e ainda hoje o cearense exalta seu governo: melhor dos melhores do Ceará.
Nunca antes nesta cidade, com exceção do atual prefeito Roberto Cláudio, nenhum outro iniciou expressivo número de obras em final de mandato. Espera o fortalezense suas conclusões em 90 dias e que feche sua porteira para merecer homenagens na galeria dos gestores públicos de Fortaleza.
Na impossibilidade de concluir seu magnifico projeto de investimentos, Roberto Cláudio não deve mostrar obras inacabadas, com promessas que serão concluídas com a vitória do seu candidato. Lula, presidente da República, prometeu refinaria do Ceará concluída com a vitória de Dilma. Ainda hoje se aguarda.
Democracia se faz com mudanças de gestores públicos e com criteriosa transparência na aplicação de recursos. Deixar obra inacabada não se configura delito. Crime é não deixar, em caixa, dinheiro com valor suficiente para conclusão do que iniciou. Cofre vazio é crime!

HÉLDER CORDEIRO
JORNALISTA

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