No Dia da Doação de Órgãos, associação reúne transplantados e familiares no Aterro da Praia de Iracema


Pandemia causou queda na doação de órgãos em todo o país. Grupo levou balões e cartazes para o Aterro da Praia de Iracema.
Divulgação
A Associação Cearense dos Pacientes Hepáticos e Transplantados (Acephet) realizou ato no Aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza, pelo Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos celebrada neste domingo (27). Pacientes, familiares e membros da organização relatam dificuldades trazidas com a pandemia do novo coronavírus.
Em junho, o Ceará começou a registrar o aumento de transplante de órgãos após queda drástica nos primeiros meses da pandemia.
“Esse ato de hoje tem uma importância e significado muito grande porque há 17 anos nós fazemos esse trabalho dia a dia, mas o mês de setembro foi escolhido nacionalmente para representar aquele que doa tempo e não só órgão, mas sangue e medula”, diz Suzana Nascimento, coordenadora de eventos da Acephet. Entre os participantes do ato, pacientes com transplante de fígado, rim, pulmão, coração e seus familiares.
“Nossa luta é grande, mas nós temos que dar esse grito para que as pessoas doem, porque ao doar não salva apenas uma vida [do paciente], mas de familiares e entes queridos”, compartilha Suzana.
No aterro, além de usarem cartazes e balões para chamar atenção para a causa, os participantes homenagearam José Wilter Ferreira Ibiapina, presidente da Associação que faleceu em maio deste ano por complicações cardíacas. A organização foi criada em 2003 para atender pacientes transplantados devido às hepatites B, C e outras patologias, e reforçar a mensagem da doação de órgãos e tecidos.
Entre as dificuldades causadas pela pandemia, a queda no número de doações e a logística para o recebimento dos medicamentos exigem maior atenção, como pontua Suzana Nascimento. “A maioria desses pacientes é de fora e precisa tomar medicamento. Então a Acepeth, em parceria com Hospital das Clínicas, enviava os remédio os pacientes. Nenhum ficou sem, mas foi um sacrifício bem grande”, recorda.
Em todo o país, com a pandemia, o número de transplantes caiu neste ano. De janeiro a julho de 2019, foram mais de 15 mil. No mesmo período de 2020, a queda foi de 37%.
Número de transplantes no Brasil sofre queda vertiginosa